Uma combinação surpreendente: espumantes tintos harmonizam com feijoada

Confira cinco rótulos desses borbulhantes

Por Redação Veja SP
17 jul 2021, 01h48 • Atualizado em 17 jul 2021, 01h56
Quatro garrafas de espumantes tintos sobre fundo branco
 (Veja SP/Divulgação)
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Talvez o prato brasileiro mais difícil na combinação com vinhos seja a feijoada. A receita oferece alto nível de sabor, aroma, sal, gordura e um toque de amargor do feijão-preto. Já testei na prática diferentes opções de harmonização com feijoada e o resultado sempre foi muito curioso.

Testei o prato com vários tipos de branco, tinto, rosado, espumante branco e rosé, e por fim espumante tinto. Nas provas, antes de servir a feijoada, o que menos agradou foi o espumante tinto. Junto com a feijoada, no entanto, esse foi o meu predileto. Um verdadeiro patinho feio transformado em cisne.

A explicação vem do fato de os borbulhantes rubros terem os taninos dos tintos agregados à acidez alta dos espumantes, causando certa estranheza ao paladar como aperitivo, mas brilhando ao serem combinados com comidas que trazem gordura e certo amargor, como a feijoada.

O que são os espumantes tintos e como são feitos?

Boa parte dos espumantes brancos e rosados leva uvas tintas na composição, só que sem extrair a cor de suas cascas, ou, no caso dos rosados, com mistura de uma pequena quantidade de tinto ao branco.

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Os espumantes tintos são feitos exatamente como se fazem os brancos e rosados, com a diferença da maceração das cascas com a extração de cor. O grande diferencial no resultado é que os espumantes tintos mantêm a alta acidez dos brancos e rosados, com o acréscimo dos taninos e a adstringência dos vinhos tintos tranquilos.

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Exemplos no mundo

A primeira vez em que me deparei com um espumante tinto foi quando morei na Itália, nos anos 1990. Vivia na Lombardia, região norte do país, e um vinho popular lá é o Sangue de Giuda (Sangue de Judas), muito semelhante a um lambrusco. Mas o país no qual talvez os espumantes tintos estão mais ligados à culinária típica é Portugal.

Na Bairrada, região centro-norte, onde os leitões assados são o prato emblemático, a combinação frequente e adequada são os espumantes tintos, feitos com a taninosa casta baga.

No Brasil, o fenômeno não chega a ser recente. Lembro de provar espumantes tintos da Chandon décadas atrás. Lembro também que havia grande dificuldade de passar o conceito aos consumidores e esses produtos foram descontinuados. Hoje em dia, os produtores brasileiros voltaram a acreditar na categoria, com ótima resposta do público.

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Confira algumas opções

1 - Guatambu Noite do Pampa Brut

Merlot 100%, elaborado pelo método champanoise, com dezoito meses com suas borras. Aroma rico e frutado, paladar com taninos, mas macio.  
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2 - Aliança Bruto Reserva Tinto

Português de baga e tinta roriz feito pelo método champenoise. É encorpado.
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3 - Medici Ermete Lambrusco Reggiano Concerto

Italiano importado pela Decanter, tem bons taninos e acidez. É um expoente entre os lambruscos.
  • R$ 155,90
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Texto de Marcelo Copello

*As informações e valores dos produtos se referem ao momento de publicação desta matéria.

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